Nas palavras da mãe Lia achava conforto. Um conforto que vinha da sensação de que ela era algo bom, não o melhor que alguém poderia ser, mas algo de que as pessoas poderiam gostar. Mas as palavras da mãe não poderiam confortar o coração de Lia para sempre, afinal, existia um mundo lá fora. Um mundo cheio de palavras más. E, com seus treze ou quatorze anos de vida, Lia já era grande o bastante pra entender porque algumas palavras doíam tanto assim.
Nessa idade, Lia não queria mais correr das palavras, queria estar, dançar, amar com elas. Nessa idade, ela entendeu que as palavras nunca eram más ou boas. Elas também não eram neutras. As palavras eram cavalos selvagens que nos levavam pra mundos de linguagem, ambíguos e instáveis, onde o fogo que queima também podia gelar, a faca que corta também podia juntar e a batida que arde também podia aliviar

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