terça-feira, 24 de agosto de 2021

Gritaram-me



Como o fogo que queima, a faca que corta, a batida que arde, assim era aquela palavra pra Lia. Um som que entrava pelos ouvidos e atingia em cheio o coração. A palavra vinha da prima, com quem queria sempre estar. A mesma que um pouco antes abraçara e com que ela se sentia a menina mais amada deste mundo. Mas, ao ouvir aquela palavra, Lia só queria correr pra bem longe dali, pra aonde a dor que aquela palavra causava não pudesse mais machucá-la. Ela não entendia bem o por quê. Só sabia que aquela palavra lhe dizia algo que ela não queria ser, algo que parecia ruim ser. Mas, deus, tudo isso era confuso demais pra uma menininha de seis ou sete anos.

Nas palavras da mãe Lia achava conforto. Um conforto que vinha da sensação de que ela era algo bom, não o melhor que alguém poderia ser, mas algo de que as pessoas poderiam gostar. Mas as palavras da mãe não poderiam confortar o coração de Lia para sempre, afinal, existia um mundo lá fora. Um mundo cheio de palavras más. E, com seus treze ou quatorze anos de vida, Lia já era grande o bastante pra entender porque algumas palavras doíam tanto assim. 

Nessa idade, Lia não queria mais correr das palavras, queria estar, dançar, amar com elas. Nessa idade, ela entendeu que as palavras nunca eram más ou boas. Elas também não eram neutras. As palavras eram cavalos selvagens que nos levavam pra mundos de linguagem, ambíguos e instáveis, onde o fogo que queima também podia gelar, a faca que corta também podia juntar e a batida que arde também podia aliviar

terça-feira, 27 de junho de 2017

As verdades que nos constituem

 Trilha sonora sugerida: o som de pássaros 
                                       

É uma noite fria, muito fria. Uma noite que o chá quente e o edredom grosso não conseguiram aquecer. Na busca por um pouco de calor, Lia remexe na memória e acha a lembrança de algo que estava à sua espera. Senta diante do computador e começa a escrever.

Esta é uma escrita que começa com uma lembrança. A lembrança de um sonho no qual Lia era uma mulher velha, deitada sozinha numa cama cujo conforto e tamanho excediam o necessário. Lia tinha essa sensação quando uma moça apareceu e devagarinho se encostou na porta do quarto. Era uma moça linda e no sorriso dela Lia viu a filha que sempre quis ter.

Esse é um sonho já bem antigo, mas ainda tão vivo na memória! Um sonho que fica lá quietinho, esperando ser lembrado pra lembrar a verdade que carrega: a de que o amor é contentamento.

Mas o sorriso da filha de Lia carrega outra verdade. Por isso, Lia escreve sobre ele. Não porque teme esquecer essa verdade, mas porque não consegue parar de se lembrar dela.

Sabemos tão poucas coisas neste mundo. Entre elas, quais são as nossas verdades, aquelas que nos constituem. Na verdade, Lia se constitui neste sonho e é por isso que escreve sobre ele. Escreve porque escrever é juntar pedacinhos de si, que às vezes se espalham por aqui e ali, e que ela precisa ajuntar pra, ao olhar o mosaico construído com suas próprias mãos, saiba a verdade que carrega, ao escolher ser quem é.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Um cortinado a rodopiar

Trilha sonora sugerida: o silêncio

Encostada no parapeito do terraço ela olha a lua e explode. Gostava de ir ali sempre que queria se encontrar. E sempre se encontrava quando conseguia acalmar o coração ao ponto de ver-se com oito anos, deitada na cama da avó a ouvindo falar, sem prestar atenção, porque, ao rodopiar o cortinado, rodopiava também a sua imaginação. Assim, ela rompia os limites do tempo e do espaço e ia pra momentos e lugares distantes...Aonde estaria daqui um ano, dois, dez? Entendia a contingência da vida, mesmo que não soubesse dar nome pra aquela sensação de que a vida corria solta, feito cavalo que não se deixa arriar.

Se conseguisse manter o coração calmo, sentiria o vento frio daquela noite, quando um banco na ilha que dividia a avenida em duas mãos foi o lugar pra aonde a mãe a levara, enquanto esperavam o ônibus passar. Tinha lá seus dez anos. Deitada com a cabeça no colo da mãe, ouvia-a falar sobre banalidades, mas o que prendia mesmo sua atenção era a luz do poste que lembrava um cortinado a rodopiar. O mundo havia girado rápido demais: voltara a morar com a mãe, como queria e, agora que estava ali, sentia saudade da avó, das primas, da casa cheia, do cheiro da terra molhada, do pedaço do céu que nunca mais vira.

Olhando pra lua era fácil sentir a dureza do chão da carroceria do carro em movimento, que sacolejava duído ao passar pela estrada de chão esburacada. Naquele dia a lua também estava cheia e ela só conseguia sentir gratidão por estar ali, diante de uma longa estrada. E foi durante o caminho que o cortinado virou mundo e pôs-se de novo a girar, levantando a poeira que desenhava o sentido da vida, de uma vida que longe dali fazia cada vez menos sentido.

Às imagens do cortinado a girar voltava sempre que as coisas ficavam confusas. E era no vai-e-vem daquele emaranhado de linhas carregado de imaginação e memória que se achava, aonde quer que estivesse...

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Uma multidão

Sugestão de trilha sonora: Roads, de Portishead


Ana olha para o cursor piscando na tela em branco e lembra que houve um tempo no qual escrever assim era mais fácil. No tempo em que, ao invés do piscar de um cursor numa tela em branco, o que precedia a escrita era o encontro do lápis com o papel. E com esse encontro, como acontece com qualquer encontro, a vida se enchia. Naquele tempo, escrever era como quando alguém te chama pelo nome e você não pode fazer outra coisa, que não responder.

Sempre amou a saudade e o desejo, talvez por isso deixava as coisas pelo caminho...pra sentir falta delas e querê-las de novo. Não lembra quando, aonde nem como deixou de escrever assim, só sabe que o vazio que ficou a faz ter vontade de escrever assim de novo.

Desliza os dedos pelo teclado, olha pro lado, hesita. Faz tanto tempo...e é estranho como isto parece tão deslocado e necessário agora. A vida é outra e ainda é a mesma. O que ficou lá trás continua aqui. Ainda vive como quem sonha e sonha como quem não vai acordar. E é evidente que está imersa em contradições, das quais talvez só a escrita a salve.

É tarde da noite, de uma noite longa e fria, uma noite da qual pouco se espera. Mas o que é mais irresistível do que o inesperado? O barulho chato se mistura com um cheiro enjoativo, fazendo daquele lugar, para o qual se mudara há pouco tempo, ainda mais incômodo. Não se sentia em casa ali. Mas quando é que se sentira em casa em um lugar com paredes? Casa é mesmo lá, aonde o vento pode correr solto, feito menino sem estribeira.

Sentada no canto, deixa as palavras invadirem a sala e devorarem o óbvio. Escreve. Uma palavra, duas, várias. Juntas, elas formam frases, parágrafos e algum sentido. Sente, enfim, que pode se abrir e se deixar devorar por um sem fim de histórias que vão tomando lugar até se constituírem em uma multidão, que está bem ali, diante dela, pedindo para ser contada.

Encara uma delas, a história de Ana. Que história é essa? Era só a história de uma mulher como outra qualquer, que não sabia o que fazer com sua dor e por isso a carregava consigo pra aonde quer que fosse. Como ele podia não a amar? Nem ele sabia a resposta, então, não valia a pena perguntar. Só se afastar.

Mas Ana não era feita só de dor. Tinha um tanto de alegria também. E foi esse sentimento que encontrou quando entrou no carro e lembrou que não tinha pra aonde ir. Que coisa, Ana! Ligou o carro mesmo assim. Por que não ter a liberdade como destino, ora!? Topou a parada. E foi no caminho que se deu conta que o que importava mesmo era ir.

Pegou uma via rápida. Naquela hora da tarde, havia poucos carros e isso fazia Ana se sentir ainda mais sozinha. Parou o carro num lugar aonde costumava ir quando era mais jovem. Desceu, olhou ao redor e se viu cercada por uma multidão de desconhecidos, dos quais se sentia tão próxima. Sorriu. Não porque achasse graça naquilo, mas porque achara uma verdade. Sorriu mais uma vez e teve certeza: era isso que tinha ido buscar ali.   

segunda-feira, 1 de março de 2010

Eterna mudança

Às vezes parece que a realidade não é suficiente. É como se, além da matéria, existisse algo mais que se deseja. Como disse a escultora francesa Camille Claudel, "há sempre algo de ausente que me atormenta".
Sugestão de trilha sonora: Distraída pra Morte, de Otto

Poucas nuvens interrompiam o azul do céu naquela manhã. Cenário propício à exibição de pássaros ousados em vôos rasantes. Pretos, brancos e cinzas foram as cores que Estela conseguiu distinguir entre as manchas que dançavam no ar seco e instável. Virna era uma mulher interessante, mas, naquele momento, outros assuntos chamavam mais a atenção da amiga que, suavemente, resplandecia ao seu lado.

Não foi preciso muito tempo para que as cobranças surgissem:


- Você já não é a mesma, sabia?


- Não?, Estela respondeu, ainda aérea. Mas Virna estava mesmo disposta a prosseguir:

- Não! Há algo estranho com você, Estela. Já não é minha amiga?

- Ora, por favor!

O relógio que se via no alto do prédio imposto em frente à praça das Ilusões já marcava 12 horas, o que serviu de mote para que Estela fugisse daquela conversa enfadonha, sem ter que dar muitas explicações.

- Marquei de almoçar com um amigo, Virna. Nos falamos depois, OK?

Após o abraço frio, sem pressa, Estela se levantou e caminhou em direção ao centro comercial da cidade. As cobranças não eram apenas exteriores e isso era visível no semblante da mulher esguia, de cabelos cacheados e pretos, olhos tímidos e boca trêmula, que deslizava entre a multidão.

Já não sou mais a mesma? Realmente, não! Mas o que importa? Deixará de me amar por isso? O tempo pesou mais pra mim, minha querida. Já você... Ah Virna! Você não mudou nada... Continua a mesma mulher que conheci há tantos anos, ainda com o sorriso doce e a atenção toda focada em mim. Amo-te tanto assim, como és... Não sei se continuaria a amar-me, se mudasse...

O vento gemia baixinho e Estela se dividia entre o desejo de contemplação e as indagações aguçadas pela companheira. Alguns minutos de caminhada e lá estava ela adentrando o restaurante Invente. O local era simples, aconchegante. A luz amena e o cheiro irresistível de diversos temperos misturados se espalhavam por todo o ambiente. Sentado no canto direito do salão, Hígor acenava com frenesi, o que apressou os passos da mulher para quem todos no salão olhavam.

De frente pro amigo, Estela percebeu que novamente não resistiria ao impulso de ser ela mesma. Hígor tentou, mas não conseguiu prendê-la nem por cinco minutos. Livre, ela ganhou o ar. Indo pra lugares desconhecidos, ocultos, enigmáticos, irresistíveis. Estela tinha o corpo presente, mas sua alma já não lhe pertencia. Ao sabor do vento, mudava, de  caminho, de sentido, de tempo, de espaço e o que mais seu coração quisesse.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Aonde está a chave?

Revisitando minhas velhas lembranças, veio-me esse conto. Nesta manhã, Lembrei de tê-lo escrito e, em seguida, lembrei também de tê-lo perdido. Ainda bem que um também velho amigo guardou! Eis um benefício em compartilhar seus devaneios! 

Sugestão de trilha sonora: Isolate, de Moby

Lançou suas angústias no silêncio, penteou o cabelo e voltou a sorrir. Ainda lhe restavam duas horas e quinze minutos. Tempo suficiente para recuperar a lucidez, amarrar o cadarço e seguir rumo à apresentação de mais uma palestra.



Mas essa não era só mais uma palestra. A nata da intelectualidade estaria lá. Até mesmo aqueles que riram e aqueles que ficaram furiosos quando Daniele anunciou, pela primeira vez, sua nova teoria da evolução. Após 10 anos de trabalho no anonimato, ela agora alcançara seu principal objetivo. Demorou, mas, enfim, veio o reconhecimento. E esta noite será a sua coroação.


Ilze e uma multidão de curiosos a aguardavam no auditório da universidade. Mas eu sei que ela não virá. Só não consigo entender o que pode ser mais importante para Daniele do que a sua coroação? Não que ela seja completamente narcísea, mas, além de acreditar na importância da ciência para a humanidade e em outras coisas do tipo, ela sempre desejou ardentemente ser reconhecida.

Talvez, lá no fundo, esse tenha sido o principal combustível de sua busca alucinada por superar Darwin. Agora, quando todos estão de ouvidos e mentes abertas para ouvir o que ela diz a ninguém há anos, Daniele não quer mais falar. Algo movimenta os compartimentos estanques do seu interior. Eu sei. Seus olhos, antes imóveis, não conseguem mais se fixar. Algo, que não ela mesma, nem a humanidade, chama a sua atenção. Mas o quê?

Uma hora para começar a palestra e os cadarços ainda estavam desamarrados, a lucidez, então, já beirava os territórios do irrecuperável... Sentada no velho sofá da sala com os olhos perdidos e as mãos geladas, Daniele esperava a sua salvação. Na mente uma avalanche de pensamentos, que ela não ousaria dizer em voz alta nem para si mesma.

Se essas palavras têm algum sentido, onde ele está? A razão libertou o homem dos mitos e lhe mostrou a verdade. Está escrito no papel. Mas o que a mão escreveu a boca não pode mais dizer. Porque a angústia impôs o silêncio. E ela não é forasteira. Se tivesse visto mais do que te mostraram, teria notado: o mistério sussurra.

Até onde a evolução dos primatas nos levará? As perguntas essenciais não foram respondidas. A sua razão se tornou mais um mito. O seu deus também morreu e não foi Nietzsche quem o matou.

No peito de Ilze o coração estava disparado. Toda aquela gente esperando há uma hora unicamente para ver Daniele. E nenhuma explicação para o atraso. Há algo errado! A possibilidade de que pudesse ter acontecido algo a Daniele fez Ilze tremer. Até para o almoço de domingo ela nunca se atrasou...

Isso é normal! Não se preocupe, Ilze! Você sabe o quanto Daniele é perfeccionista. Ela deve estar reforçando os pingos nos is, relendo novamente o texto. Nada mais natural... Ainda mais hoje! Tome um pouco de água! E não toque nesse celular. Se não o nervosismo vai lhe subir a cabeça. As pessoas estão acostumadas com isso. O que é uma hora de atraso? Acalme-se. Não se precipite, Bernardo pensou em dizer, mas Ilze já atravessava o auditório rumo à porta de saída.

Na velocidade de quem conhece o mal ou o bem que se pode fazer em um minuto, Ilze chegou ao apartamento onde morava com Daniele. Assim que pôs os pés no saguão percebeu que perdera o elevador. Esperar sua volta, nem pensar. Quanto tempo ele poderia demorar subindo e descendo os quinze andares...

Correu às escadas. Cinco minutos, 12 andares. Diante da porta trancada, procura pela chave. Onde, onde, onde ela está?

Ao entrar no apartamento, encontrou sua memória. Daniele! Perdoe-me! Esqueci completamente! A chave... Você está sem a chave! Não posso acreditar, por que não me ligou? Tudo culpa minha. As pessoas a esperam. Vamos! Ainda há tempo. A sua carreira depende disso.

Um minuto foi o tempo necessário para que a lucidez de Daniele regressasse. Claro! A chave... Ainda bem que você se lembrou, Ilze!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Prosopopéia

Esse conto não é novo. Já tem cerca de três anos. Mas ainda gosto muito dele. Dos meus velhos rabiscos, este é um para o qual sempre volto. Não apenas pela história em si, mas, principalmente, pelo que ela me faz lembrar. Houve um tempo em que eu sonhava mais e acreditava mais também...Acho que preciso mesmo resgatar os velhos sonhos, às vezes, são eles que nos lembram quem somos...



Sugestão de trilha sonora: Ce Matin La, de Air

Livros, papéis e uma xícara de café sobre a mesa. No canto direito, a velha máquina de escrever, no esquerdo, a quase ausência da estante arranha-teto. Pouca luz e muitas sombras espalham-se pela sala. De tudo, fica a impressão de que uma lógica interna muito bem fundamentada rege o lugar. Vapores perceptíveis que exalam da compenetrada mulher presa ao telefone, translúcida entre a penumbra.

Sim, a história é interessante. Claro, claro, existe uma razão para cada palavra do texto. Eu espero que a trama culmine em um final surpreendente. É tudo que um leitor mediano pode querer. OK, eu logo termino.

Por detrás da porta alguém espreita. Fim da conversa, espaço para aliviar o coração. Meia noite e você ainda aqui? Por que passa as manhãs, as tardes e as noites nesta sala fria, sozinha? Esses papéis são tudo? São a vida? Não tenho que responder a interrogatórios. Só preciso de um final. Depois de tantos pontos, apenas mais um.

Entre o sentimento e o argumento, predomina o cansaço. É ele que despedaça as tentativas de redenção. Amanhã, talvez Laura seja feliz. Hoje, luz apagada, portas cerradas e combustão no motor. Pelo retrovisor, Ester acompanha o refúgio distanciar-se. A sua casa estava a dois quarteirões, mas naquela noite, ela preferiu o improvável.

Fez o contorno e subiu a avenida principal, na direção contrária a que sempre seguia. A essa hora da noite, na companhia exclusiva do vento, a Ponte do Ouvidor resplandecia toda a sua magnitude. Pena que a mente de Ester não estava aberta à beleza.

Laura esta encurralada. Como quebrar as grades que ela construiu para si, se ela suplica que não as quebre? Ela não quer ir além disso. Seus pés a levaram, não sou eu que a tirarei de lá. Sim, a vida são papéis e o que mais poderia ser?

Firmemente apoiada no parapeito da ponte, Ester era a imagem da determinação. Mas em seu íntimo ela era só dúvida. Pare de negar! Laura deve mesmo morrer.

Sob o despontar da manhã, Ester retornou à sala alugada no centro da cidade. E sem hesitar apontou: dois tiros no peito. Crime passional. Laura não sabia, mas seu amante era seu maior inimigo. Fim de página e ponto final. Ah! Tinha que ser. Você quis assim, Laura.

Desconsolo e cigarro na boca. A janela aberta convida Ester a mais uma trama. De onde estava, a vista alcançava boa parte da cidade. Na praça, em frente ao prédio, um casal se beija. O mundo de Ester move-se. O desejo de criação a toma por completo. Papel em branco na mesa. Novamente, em busca do coelho branco.